Capítulo 3 - Não é Tão Simples
O Crack é o Iraque!
Ô drogazinha do inferno. A Tentação coça e o pior não é nem que existem demônios nos atentando, o pior é quando você usa a substância: parece que você se casa com o diabo de uma forma tal que ele vira você e você vira um demônio também.
O seu pior inimigo se torna você mesmo. Seus piores demônios são você mesmo. O pior capeta é o que você pode fazer quando fica injuriado e o pior inferno é o que você mesmo se joga, chutando o balde.
Pode estar limpo dois anos, ou o tempo que for: SE TIRAR A TUA PAZ, A CHANCE DE RECAÍDA É GRANDE!
Se isso acontecer, volta pior do que era antes. É um abismo chamando outro abismo e o seu segundo estágio se tornará pior do que o primeiro. Está na Bíblia.
Então vigia, porque o espírito está pronto mas a carne é fraca. Orai e orai bastante. Orai com força, garra, coragem, nem que você ore só o ódio[...] mas que você clame a Deus! Clame a Deus. Clame a Deus...
Te convido a ouvir este louvor: "Chame a Deus" (Banda Catedral)
https://www.youtube.com/watch?v=Evu0L4C6c8E
Refrão:
Chame a Deus, que tua vida logo mudará
Ele cura a ferida, te libertará
A verdade e a vida ele quer te dar
Chame a Deus, chame a Deus
Chame a Deus, que o tempo passa e não volta mais
Sua chance, sua vida pode se acabar
Ele cura a ferida, te libertará
Chame a Deus, chame a Deus, chame a Deus
CHAME A DEUS QUE O TEMPO PASSA E NÃO VOLTA MAIS!
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O crack é uma substância derivada da cocaína, chamada Cloridrato de Cocaína. E eu não quero nem saber porque inventaram essa porcaria... o negócio é que quando você fuma essa parada, todo seu cérebro é tomado pela substância instantaneamente, provocando primeiro uma sensação de alívio e paz. É um prazer, mas é um prazer de alívio, de finalmente ter alcançado um descanso para "minha alma".
No começo você pode até sentir prazer. A cocaína é uma droga neuroestimuladora, ativando o seu metabolismo, aumentando a temperatura corporal; quem está no começo do uso da droga e é gordinho, o crack provoca muito suor, fazendo com que ele sua bastante, ficando encharcado.
Como a pessoa que inicia nesse caminho sem volta tem vergonha de se expor socialmente e para que ninguém a veja em Cracolândia, ou para evitar que as pessoas simplesmente a vejam - pois há um outro efeito colateral em que o usuário fica literalmente pancado, travado, sem condições de falar, dialogar, se defender ou de sair do lugar em que está usando. E depois que ele começa a usar, ele só quer saber de usar mais e mais e mais e rapidamente se torna escravo da droga.
Enquanto ele tem dinheiro, ele gasta. Depois que acaba o dinheiro, a própria droga faz com que o cérebro resolva o problema matemático financeiro simples: "Acabou o dinheiro mas quero usar droga" + "Não posso roubar nem fazer dívida com traficante" + "Não dá para pedir emprestado pelo WhatsApp senão vão desconfiar" + "Se me ligarem, eu tô pancado e não consigo falar"
É IGUAL ( = ) A:
"Vou vender tudo o que tenho PARA USAR MAIS."
E aí vai relógio, tênis, calça, camisa, bolsa, blusa, carro, moto, apartamento, lotes, propriedades, tudo, tudo, tudo, tudo, TUDO!
A primeira coisa que a pessoa perde é a confiança da família devido ao sumiço dela por dias e dias seguidos, mais a mudança rápida de comportamento.
E aí, por sumir por muitos dias, não vai trabalhar, perde o emprego, não paga o aluguel e vai morar na rua. Já vendeu tudo. Sem ferramentas, não consegue trabalhar para sustentar o vício. Vai fazer o quê?
E essa é a história. Essa é a minha, essa é a sua (ou não), também é a história de qualquer noia que perambula pelas ruas, principalmente pela madrugada.
Um dia eles tiveram família, escola, estudo, casa, lar, carinho, festas, comemorações, passeios, coisas boas, amigos, parentes, esportes, vida social.
Mas nós, que somos nóias, nós nos perdemos no caminho. Perdemos o tino, descarrilhamos o trem, tombamos na curva, caímos no abismo chamado Beira do Precipício, viramos uma calota perdida que anda e gira ao sabor do vento, indo para frente, para trás e toda hora sendo atropelada pelos carros que passam a mil pelas ruas por cima de nós!!!
Ainda que no começo tentemos lutar contra a drogadição, há algo chamado Memória Neuroquímica e o seu cérebro passa a perder o discernimento entre realidade e ilusão (que no caso é uma lembrança do uso ativo, guardada na memória) e sempre que quem fumou o crack pelo menos uma vez na vida se lembra de onde esteve e fazendo o quê com quem.
A imagem mental gerada pela lembrança vívida que é produzida durante a recordação faz com que o organismo reaja como se a pessoa estivesse fazendo uso naquele instante, geralmente provocando diarreia, palpitações, falta de ar, ansiedade e uma agonia tão profunda, tão sinistra – vejamos bem: só de lembrar do uso – uma agonia tão profunda, tão sinistra, que é como se você fosse morrer de passar mal. O único jeito de melhorar essa bad é fazendo o uso da droga, porque enquanto você não usar, você não vai parar de sofrer de abstinência.
E aí o que acontece: A PESSOA LARGA TUDO QUE ESTÁ FAZENDO e sai para dar uma bola. Sai para dar uma.
O tempo para voltar para casa vai ser proporcional:
- A) Ao tanto de dinheiro que leva para essa aventura suicida; ou
- B) Pelo tanto de tempo em que está acostumado à rua e aos seus diversos meios de conseguir recursos para usar; ou
- C) Manter-se-á vagando pelo vale da sombra da morte e da escuridão, prestando pequenos serviços para quem tem dinheiro para usar, como ir comprar cigarro e cachaça, facilitar corres, ir comprar drogas, só fazer companhia, se prostituir, ou se envolver no tráfico...
E para voltar pra casa pode demorar quem sabe meses ou anos, e isso é muito triste, é medonho, é algo que enegrece qualquer coração que compreenda que o viciado está aprisionado e escravizado por uma força INSTINTIVA que é mais forte do que as demais convicções dele.
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