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PPES_03 - ANO 2010 - POEMAS DE UMA FASE MELANCÓLICA


 📘 Ano 2010: Poemas de uma Fase Melancólica


Autor: Pedro Henrique Serrano Léllis (Pedrim Pescador)
Local: Vila Velha/ES, Brasil
Data de compilação: 18/06/2024
Gênero: Poesia confessional / lírico-existencial
Páginas: 50
Período de escrita: 2010 (revisto e publicado em 2024)
Links: Disponível com apelo de apoio via PIX

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📖 Sinopse da Obra

Este é um diário poético íntimo, escrito originalmente em 2010 durante um período de intensa melancolia, ansiedade e busca espiritual. Mais de uma década depois, o autor revisita esses versos para compartilhar sua jornada de dor, questionamento e reconstrução.

Os 33 poemas são organizados como uma descida às sombras do eu — da angústia social ao desespero pessoal, da crise de identidade ao reencontro com a fé. A melancolia aqui não é apenas um estado de espírito, mas uma lente através da qual o autor observa o mundo, Deus, a sociedade e sua própria existência.

Entre versos crus, metáforas biológicas, referências bíblicas e flashes de esperança, o livro funciona como um mapa emocional de um jovem que, anos depois, ainda busca “ressignificar a vida” através da arte, da espiritualidade e do estudo.

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🧭 Estrutura e Temas Centrais

🔹 Parte 1: A Angústia e o Martelo (Poemas 1–12)

Palavras Martelo, Vida Valores Felicidade, O Valor da Minha Vida, Famílias Grupos Sociedades, ÕES ÕES ÕES, Sozinho Comendo Pó, Pulsos, Eu Sei Bem Sei, Eu Tenho Saudades de Mim, O Que Os Sorrisos Dizem, O Contraste, Adeus Velho Mundo!
Temas: solidão, crítica social, desilusão, questionamento do valor da vida, máscaras sociais, desejo de fuga.

🔹 Parte 2: O Desmoronamento e a Busca (Poemas 13–24)

As Revoltas do Meu Ser, Frente e Verso, Caminhadas & Andanças, Núcleo Problemáticos Anônimos, Fatos Chaves Bancos, De Todos Os Espaços Do Universo, Sentidos No Infinito, Faço Por Você, Auto Pô, Meus Olhares Pra Ela, Expansões Universais, Desejos
Temas: fragmentação do eu, espiritualidade conflituosa, saudade de si mesmo, desejo amoroso e erótico, expansão mística, crise identitária.

🔹 Parte 3: Revelação e Conquista (Poemas 25–33)

Estrelas Revelam, Look Selation, Armas Preparadas, Normas, Minhas Percepções, O Outro Lado, Quando..., Quando Eu Me Desestruturar, Eu Vou Conquistar o Mundo
Temas: visões divinas, aceitação da pluralidade humana (travestilidade), preparação para batalhas internas, normas da vida, percepção ampliada, desestruturação e reconstrução, projeto de conquista pessoal e espiritual.

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✨ Temas Transversais

· Crise existencial e depressão: Vários poemas tratam de ideação suicida, vazio e falta de sentido.
· Espiritualidade em conflito: Deus é invocado como ausente, presente, castigador e redentor — às vezes no mesmo poema.
· Identidade e autorrejeição: O autor expressa “saudade de si mesmo” e se descreve como “garrafa pet”, “plástico não reciclável”.
· Crítica social e desigualdade: A vida é contrastada entre ter e não ter, entre valor humano e valor financeiro.
· Arte como cura: A escrita aparece como martelo, grito, oração e armadura.
· Natureza e tecnologia: O eu poético oscila entre o desejo de uma cabana sustentável e a realidade digital e urbana.

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📝 Ensaio: A Melancolia como Território Poético e Espiritual

Pedro Henrique Serrano Léllis nos entrega não um livro de poemas, mas um corpo textual sangrando. Ano 2010 é um arquivo de uma alma em desmontagem, onde a melancolia não é doença a ser curada, mas solo onde crescem versos agudos como espinhos e frágeis como pétalas.

Há aqui um duplo movimento: a descida ao abismo do eu (“Sou mais um grão de arroz no seu prato”) e a escalada em direção a uma fé que, por vezes, parece mais desespero que certeza (“Toca-me, Senhor, pois das tuas mãos saem raios”). O poeta é biólogo, e sua linguagem carrega termos como pet, reciclável, biotecnologia, CO₂, mas também shekinah, propiciatório, holocausto — um léxico que une ciência e sagrado na mesma respiração angustiada.

A melancolia, neste livro, é um estado de percepção aumentada. O poeta vê o que muitos ignoram: a falsidade dos sorrisos, a violência embutida nas normas, a solidão mesmo na multidão, a fragilidade da vida como “garrafa pet”. Mas essa mesma dor o aproxima do divino: ele vê Deus não no milagre fácil, mas no pó, no abismo, na desestruturação.

O poema “Look Selation” é um dos momentos mais potentes: uma ode à figura travesti, observada com detalhe e respeito, numa quebra de julgamento e um gesto de reconhecimento da humanidade plural. É como se a melancolia, ao desmontar o próprio eu, permitisse ao poeta ver o outro sem véus.

E no fim, após o desespero, vem o projeto: “Eu vou conquistar o mundo”. Não mais o mundo externo, mas o interno — através do mestrado, da biotecnologia, da fé, da poesia. A melancolia, então, se revela como um rito de passagem: é preciso comer pó para depois plantar.

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🧾 Notas do Autor (Inseridas no Próprio Texto)

O livro é intercalado com apelos diretos do autor, onde ele:

· Revela sua formação em Ciências Biológicas (UVV, 2022)
· Compartilha o desejo de fazer mestrado em Biotecnologia Vegetal com foco em tratamento de esgoto em Vila Velha
· Conta que trabalhou com tecnologia até a exaustão, desenvolvendo crises de ansiedade, depressão e três tentativas de suicídio
· Pede apoio financeiro via PIX para “ressignificar a vida” através dos estudos
· Inclui links para seu pré-projeto de mestrado e outros livros

Essas inserções tornam a obra também um documento de sobrevivência — a poesia como ponte entre a dor do passado e um futuro possível.

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🎨 Formato e Estrutura Visual

· Design limpo, com páginas numeradas e cabeçalhos repetidos.
· Uso do símbolo @PedrimPescador como marca de autoria.
· Inserções recorrentes de chamadas para o projeto de mestrado.
· Poemas com títulos em caixa alta, muitos com numeração por algarismos romanos e arábitos misturados.

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💎 Conclusão

Ano 2010: Poemas de uma Fase Melancólica é um livro-ferida e livro-cura. Nele, a poesia funciona como sangria espiritual — um modo de extrair o veneno da depressão e transformá-lo em linguagem. Mais do que um registro de sofrimento, é um testemunho de resistência através da palavra.

Para o leitor, pode ser um espelho para suas próprias sombras ou um farol para quem atravessa desertos interiores. Para o autor, é claramente um ritual de renascimento — a prova de que a mesma mente que um dia pensou em morrer agora planeja um mestrado, um tratamento de esgoto, uma conquista do mundo.

É literatura como respiração: às vezes ofegante, às vezes em prece, mas sempre insistente.

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📚 Esta obra está disponível para leitura.
Se desejar apoiar o autor em seus estudos e projetos, contribua via PIX:
pedrimpescador@gmail.com
Pedro Henrique Serrano Léllis – C6 Bank

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“Melhor me calar” — último verso do Poema 5, mas o poeta não se calou. E nisso reside sua vitória.