Autoetnografia como Método: O Sobrevivente como Pesquisador de Si em “Operação Resgate”
Título em Inglês: Autoethnography as Method: The Survivor as Self-Researcher in “Operation Rescue”
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RESUMOS
Português (Brasil):
Este artigo examina “Operação Resgate” como prática autoetnográfica, explorando como Pedro Henrique Serrano Lellis utiliza sua experiência de 18 anos nas ruas do crack não apenas como conteúdo narrativo, mas como método de investigação. Argumenta-se que a obra exemplifica o que chamamos de “autoetnografia terapêutica”, onde o ato de pesquisar e escrever sobre si mesmo opera simultaneamente como processo de cura e produção de conhecimento. Analisando a estrutura, voz narrativa e estratégias reflexivas do texto, demonstramos como Lellis transita entre posições de sujeito e objeto de pesquisa, criando um conhecimento híbrido que desafia dicotomias tradicionais entre pesquisador e pesquisado. O artigo contribui para discussões metodológicas sobre autoetnografia, pesquisa com populações vulneráveis e epistemologias do testemunho.
English:
This article examines “Operation Rescue” as autoethnographic practice, exploring how Pedro Henrique Serrano Lellis uses his 18-year experience on the streets of crack not only as narrative content but as a research method. It argues that the work exemplifies what we call “therapeutic autoethnography,” where the act of researching and writing about oneself operates simultaneously as a healing process and knowledge production. Analyzing the text’s structure, narrative voice, and reflexive strategies, we demonstrate how Lellis moves between positions of subject and object of research, creating hybrid knowledge that challenges traditional dichotomies between researcher and researched. The article contributes to methodological discussions about autoethnography, research with vulnerable populations, and epistemologies of testimony.
Español:
Este artículo examina “Operación Rescate” como práctica autoetnográfica, explorando cómo Pedro Henrique Serrano Lellis utiliza su experiencia de 18 años en las calles del crack no solo como contenido narrativo sino como método de investigación. Se argumenta que la obra ejemplifica lo que llamamos “autoetnografía terapéutica”, donde el acto de investigar y escribir sobre uno mismo opera simultáneamente como proceso de curación y producción de conocimiento. Analizando la estructura, voz narrativa y estrategias reflexivas del texto, demostramos cómo Lellis transita entre posiciones de sujeto y objeto de investigación, creando un conocimiento híbrido que desafía dicotomías tradicionales entre investigador e investigado. El artículo contribuye a discusiones metodológicas sobre autoetnografía, investigación con poblaciones vulnerables y epistemologías del testimonio.
Français:
Cet article examine « Opération Rescue » en tant que pratique autoethnographique, explorant comment Pedro Henrique Serrano Lellis utilise son expérience de 18 ans dans les rues du crack non seulement comme contenu narratif mais comme méthode de recherche. On soutient que l'œuvre illustre ce que nous appelons « autoethnographie thérapeutique », où l'acte de rechercher et d'écrire sur soi-même fonctionne simultanément comme processus de guérison et production de connaissances. En analysant la structure, la voix narrative et les stratégies réflexives du texto, nous démontrons comment Lellis circule entre les positions de sujet et d'objet de recherche, créant une connaissance hybride qui remet en cause les dichotomies traditionnelles entre chercheur et recherché. L'article contribue aux discussions méthodologiques sur l'autoethnographie, la recherche avec des populations vulnérables et les épistémologies du témoignage.
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INTRODUÇÃO
A autoetnografia emergiu nas últimas décadas como um método de pesquisa que desafia fronteiras tradicionais entre sujeito e objeto de estudo, entre experiência pessoal e análise social, entre arte e ciência. Como definem Ellis, Adams e Bochner (2011), a autoetnografia é “uma abordagem de pesquisa e escrita que busca descrever e analisar sistematicamente a experiência pessoal para compreender a experiência cultural”. Este método ganha particular relevância quando aplicado a experiências de marginalização e sofrimento extremo, onde o acesso epistêmico de pesquisadores externos é necessariamente limitado.
“Operação Resgate”, escrito por Pedro Henrique Serrano Lellis durante seu processo de recuperação do crack, representa uma forma singular de autoetnografia que chamaremos de autoetnografia terapêutica. Nesta modalidade, o ato de pesquisar e escrever sobre si mesmo não serve apenas a objetivos acadêmicos, mas opera como parte integral do processo de cura e reconstrução identitária. Lellis não está simplesmente contando sua história; está investigando-a, transformando a experiência vivida em objeto de análise sistemática, e neste processo, transformando-se a si mesmo.
Este artigo tem como objetivo analisar como “Operação Resgate” exemplifica e desenvolve a autoetnografia como método de pesquisa e intervenção terapêutica. Através da análise da estrutura narrativa, das estratégias reflexivas e das tensões entre subjetividade e objetividade no texto, buscaremos demonstrar como Lellis constrói o que poderia ser chamado de metodologia do sobrevivente: um conjunto de práticas de pesquisa nascidas da necessidade de compreender e transformar a própria experiência traumática.
A relevância desta análise estende-se além do campo dos estudos sobre drogas. Ela contribui para discussões metodológicas mais amplas sobre pesquisas com populações vulneráveis, sobre a validade epistêmica do conhecimento experiencial, e sobre o papel da escrita como tecnologia do self no processo de recuperação de traumas.
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A autoetnografia situa-se na intersecção de várias tradições teóricas e metodológicas. Da antropologia, herda o interesse pela experiência vivida e pela descrição densa (Geertz, 1973). Da sociologia interacionista, incorpora a atenção aos processos de construção de significado em contextos específicos. Dos estudos literários, absorve a sofisticação na análise narrativa. Mas como método distinto, a autoetnografia desenvolve-se principalmente a partir das críticas pós-modernas e pós-coloniais à pesquisa social tradicional.
Ellis e Bochner (2000) destacam que a autoetnografia emerge como resposta a várias insatisfações: com o distanciamento emocional e ético da pesquisa tradicional, com a autoridade incontestada do pesquisador, com a separação artificial entre razão e emoção, entre observador e observado. Na autoetnografia, o pesquisador se coloca no centro da investigação, não por narcisismo, mas por reconhecer que sua experiência oferece um ponto de acesso privilegiado a fenômenos culturais.
Esta abordagem encontra ressonância no trabalho de Carolyn Ellis (1995) sobre histórias de vida e narrativas de doença, onde a escrita sobre a experiência pessoal de sofrimento opera tanto como processo terapêutico quanto como contribuição ao conhecimento sociológico. Da mesma forma, Arthur Frank (1995), em sua análise de narrativas de doença, argumenta que contar a própria história é um ato de reposicionamento ético: o doente deixa de ser objeto passivo da medicina para tornar-se sujeito ativo da construção de significado sobre sua experiência.
No contexto brasileiro, a autoetnografia tem sido utilizada particularmente em pesquisas sobre desigualdades e violências, como demonstram os trabalhos de Guimarães (2010) sobre racismo e de Piscitelli (2007) sobre gênero e sexualidade. Nestes estudos, o posicionamento do pesquisador como membro do grupo estudado não é visto como viés a ser controlado, mas como recurso analítico que oferece insights inacessíveis ao pesquisador externo.
O conceito de autoetnografia terapêutica que propomos para analisar “Operação Resgate” dialoga com estas tradições, mas acrescenta uma dimensão específica: a ideia de que o processo autoetnográfico pode ser intencionalmente utilizado como tecnologia de cura. Nesta perspectiva, escrever sobre a própria experiência de trauma não serve apenas para compreendê-la academicamente, mas para reconfigurá-la subjetivamente, transformando a memória do sofrimento em narrativa de sobrevivência e resistência.
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APRESENTAÇÃO DA OBRA COMO PRÁTICA AUTOETNOGRÁFICA
“Operação Resgate” apresenta características que o distinguem tanto do relato autobiográfico convencional quanto da pesquisa acadêmica tradicional, posicionando-se precisamente no espaço híbrido da autoetnografia. Escrito durante o período de internação de Lellis em uma comunidade terapêutica, o livro resulta de um processo duplo de investigação: investigação da própria experiência passada e investigação do presente processo de recuperação.
A estrutura do livro revela esta dupla investigação. Organizado em oito capítulos temáticos – que vão da descrição da vida nas ruas (Capítulo 1) à proposta de ativismo de sobrevivente (Capítulo 8) –, o texto segue uma lógica analítica mais que cronológica. Cada capítulo foca uma dimensão específica da experiência do crack, que Lellis explora tanto descritivamente quanto reflexivamente. Esta organização temática, mais que temporal, indica uma intenção investigativa: não apenas narrar o que aconteceu, mas analisar como diferentes aspectos da experiência se articulam.
A própria condição de produção do livro reforça seu caráter autoetnográfico. Escrito numa situação de relativo isolamento (internação em comunidade terapêutica), sem acesso a bibliotecas ou outros recursos de pesquisa, o texto nasce quase inteiramente da memória e reflexão do autor. Esta condição poderia ser vista como limitação metodológica, mas na perspectiva autoetnográfica, revela-se como condição de possibilidade: é precisamente o distanciamento do contexto original (as ruas) que permite a reflexão analítica sobre essa experiência.
O uso de pseudônimos para personagens (Farelanda, Rurru de Bombril) enquanto o autor mantém seu próprio nome (ou quase: Pedrim Pescador como variação de Pedro Henrique) estabelece uma interessante tensão identitária. Por um lado, Lellis protege a privacidade dos outros; por outro, assume publicamente sua própria identidade como ex-usuário. Esta assimetria é significativa metodologicamente: ela marca diferentes níveis de exposição e diferentes relações com o ato de contar.
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TRECHOS-CHAVE PARA ANÁLISE
1. A Voz Autoetnográfica Híbrida:
“Eu Pedro Henrique, autor desse livro, OPERAÇÃO RESGATE, não estou vivendo nem vivi essa história... ou seja: ela é fictícia e hipotética. Mas ela poderia ter sido real e eu poderia vivê-la, quem sabe um dia?” (p. 34) – Esta revelação exemplifica a reflexividade autoetnográfica radical. Lellis não apenas conta, mas comenta seu próprio contar, revelando as condições de produção da narrativa.
2. A Análise como Autoanálise:
“A MENTE MENTE. INFELIZMENTE. MENTE-INFELIZ, INFELIZ-MENTE.” (p. 43) – Este aforismo encapsula o movimento autoetnográfico de transformar experiência em conceito. Lellis não apenas descreve sua luta com pensamentos automáticos, mas a teoriza.
3. Posição Dupla do Pesquisador-Pesquisado:
“Eu sou um Nóia em tratamento, mas eu sempre cri e vou continuar crendo que: Jesus é o mesmo ontem, hoje e para sempre!” (p. 38) – Esta frase exemplifica a dupla consciência autoetnográfica: sujeito em processo e analista de si mesmo.
4. Observação Participante de Si:
“Consegui pegar 02 e 01 água, a última garrafinha de 500 ml que o irmão tinha. A sopa estava quente, muito quente, do tipo pelando, uma delícia...” (p. 5) – Descrição sensorial detalhada que demonstra o olhar etnográfico aplicado à própria experiência.
5. Teorização a partir da Experiência:
“NOIAR: ‘Vender bens e pertences para usar mais drogas’... Conjugação: Eu Nóio...” (p. 23) – A criação e conjugação deste verbo exemplifica como a autoetnografia pode gerar conceitos nativos.
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DESENVOLVIMENTO
A Estrutura como Metodologia: Capítulos Temáticos como Unidades de Análise
A organização de “Operação Resgate” em capítulos temáticos – em vez de uma sequência estritamente cronológica – revela uma intenção metodológica consciente. Cada capítulo funciona como uma unidade analítica focada em uma dimensão específica da experiência do crack: o território (Cap. 1), o estigma (Cap. 2), a neurobiologia (Cap. 3), o valor (Cap. 4), o projeto de vida (Cap. 5), a espiritualidade (Cap. 6), a reprogramação (Cap. 7), o ativismo (Cap. 8).
Esta estrutura temática permite a Lellis realizar o que na autoetnografia se chama de análise em camadas. Em vez de seguir a linearidade temporal dos eventos, ele os reorganiza tematicamente, permitindo examinar cada aspecto da experiência em profundidade. Esta abordagem corresponde ao que Ellis (2004) descreve como característica da autoetnografia sofisticada: a capacidade de mover-se entre diferentes níveis de análise – do pessoal ao cultural, do descritivo ao teórico.
A Voz Narrativa Híbrida: Entre o “Eu” da Experiência e o “Eu” da Análise
Uma das características mais notáveis da autoetnografia em “Operação Resgate” é a pluralidade de vozes narrativas que Lellis mobiliza. Em diferentes momentos do texto, ele fala como:
1. O participante imerso: Voz no presente narrativo, recriando a experiência em sua imediatez.
2. O analista reflexivo: Voz distanciada, analisando a substância e seus efeitos.
3. O conselheiro baseado em experiência: Voz pedagógica, derivando recomendações práticas.
4. O teórico nativo: Voz conceitual, desenvolvendo teorias a partir da observação.
Esta polifonia autoetnográfica permite a Lellis realizar o que na pesquisa tradicional exigiria múltiplos pesquisadores: coleta de dados, análise teórica, aplicação prática, divulgação. A autoetnografia torna possível esta integração porque o mesmo sujeito ocupa todas estas posições.
O Processo de Escrita como Tecnologia Terapêutica
A autoetnografia em “Operação Resgate” não serve apenas à produção de conhecimento; serve também, e fundamentalmente, ao processo de cura e reconstrução do próprio autor. Isto é particularmente evidente no Capítulo 5 (“Sonhos de Uma Noite de Verão”), onde Lellis escreve uma narrativa detalhada de recuperação bem-sucedida – e depois revela que esta narrativa é “fictícia e hipotética” (p. 34).
Este movimento complexo exemplifica o que chamamos de autoetnografia terapêutica. Ao escrever a narrativa da recuperação desejada, Lellis está realizando várias operações terapêuticas simultaneamente:
1. Ensaio narrativo: Experimentando, através da escrita, como seria viver uma vida recuperada.
2. Criação de modelo: Desenvolvendo um modelo detalhado de recuperação.
3. Treino da esperança: Exercitando a capacidade de imaginar um futuro diferente.
4. Integração de identidades: Conectando “eu” passado, presente e futuro desejado.
Esta utilização da escrita como tecnologia terapêutica ressoa com abordagens como a escrita expressiva desenvolvida por Pennebaker (1997). Mas na autoetnografia de Lellis, a escrita vai além da expressão emocional: torna-se investigação sistemática da própria experiência, com objetivos tanto de compreensão quanto de transformação.
Ética da Autoexposição: Vulnerabilidade e Poder
A autoetnografia levanta questões éticas particulares relacionadas à exposição do self. Ao tornar pública sua experiência de dependência química, Lellis se coloca em uma posição de vulnerabilidade: sujeito a julgamentos morais, estigmatização, possíveis consequências profissionais e sociais. No entanto, esta vulnerabilidade é simultaneamente uma forma de poder epistêmico e político.
Como nota Tullis (2013), quando pesquisadores de grupos marginalizados escrevem sobre suas próprias experiências, eles não apenas contribuem com conhecimento, mas também desafiam relações de poder epistêmico. Ao reivindicar autoridade para falar sobre sua própria experiência, Lellis resiste à tendência de que falem sobre ele – profissionais de saúde, pesquisadores, jornalistas – sem sua participação ativa.
Esta dimensão ética é particularmente relevante no contexto da dependência química, onde os usuários frequentemente são representados de maneiras que reforçam estigmas. A autoetnografia permite a Lellis contra-representar sua experiência, oferecendo uma visão complexa, multifacetada e humana que desafia reducionismos.
No entanto, esta autoexposição não é irrefletida. Lellis demonstra consciência dos riscos, por exemplo, ao usar pseudônimos para outros personagens enquanto mantém sua própria identidade (parcialmente) visível. Esta escolha reflete uma ética relacional na autoetnografia: o direito de expor a si mesmo não implica o direito de expor os outros.
Contribuições Metodológicas: A Autoetnografia como Ponte entre Experiência e Teoria
“Operação Resgate” oferece contribuições metodológicas significativas para a prática autoetnográfica, particularmente no que diz respeito à integração entre experiência vivida e teorização. Lellis não apenas descreve sua experiência; ele a teoriza, criando conceitos como:
· “Memória neuroquímica” – antecipando conceitos da neurociência do vício
· “Economia moral da rua” – descrevendo sistemas de troca e reciprocidade
· “Ativismo de sobrevivente” – propondo um novo modelo de intervenção
Esta capacidade de gerar teoria a partir da experiência é uma das contribuições mais importantes da autoetnografia. Como argumenta Charmaz (2006) na tradição da teoria fundamentada, os conceitos mais ricos e relevantes frequentemente emergem não da aplicação de teorias pré-existentes, mas da imersão atenta nos dados da experiência.
O trabalho de Lellis demonstra ainda como a autoetnografia pode servir como metodologia de transformação social. Ao tornar pública sua investigação pessoal, ele não apenas contribui para o conhecimento acadêmico sobre dependência química, mas também oferece um modelo de ação para outros sobreviventes: a escrita como ferramenta de cura individual e mudança coletiva.
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CONCLUSÃO
“Operação Resgate” de Pedro Henrique Serrano Lellis constitui uma contribuição significativa não apenas para a compreensão da dependência química no Brasil, mas para o desenvolvimento da autoetnografia como método de pesquisa e intervenção. Através de sua narrativa, Lellis demonstra como a experiência vivida na marginalidade pode ser transformada em fonte legítima de conhecimento – conhecimento que é ao mesmo tempo pessoal e geral, descritivo e analítico, experiencial e teórico.
A autoetnografia terapêutica praticada por Lellis oferece um modelo particularmente relevante para pesquisas com populações vulneráveis. Ela supera limitações éticas e metodológicas da pesquisa tradicional, colocando o próprio sujeito da experiência no centro do processo investigativo. Ao fazê-lo, não apenas produz conhecimento mais rico e autêntico, mas também contribui para o empoderamento epistêmico de grupos historicamente silenciados.
Para a academia, “Operação Resgate” oferece um convite ao diálogo metodológico. A obra demonstra que métodos não convencionais – como a autoetnografia – podem produzir conhecimentos válidos e relevantes que complementam abordagens mais tradicionais. Para profissionais de saúde e assistência social, o livro oferece insights inacessíveis através de outros métodos, revelando dimensões subjetivas da experiência do vício que são essenciais para intervenções eficazes.
Finalmente, “Operação Resgate” nos lembra que a pesquisa social não precisa escolher entre rigor e relevância, entre objetividade e engajamento. Através da autoetnografia, é possível produzir conhecimento que é ao mesmo tempo cientificamente rigoroso e socialmente transformador, academicamente valioso e pessoalmente significativo. Neste sentido, a obra de Lellis não é apenas um estudo sobre a dependência química; é um manifesto epistemológico que desafia nós a repensar quem pode produzir conhecimento, como, e para que fins.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGR



